quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vista minha pele

Segue abaixo o link para o curta "Vista minha pele" que se encontra disponível no youtube, para aqueles que se interessaram e querem ver até o final. É um vídeo extremamente instigante, pois dá uma visão muito realista daquilo que geralmente fica apenas em campos hipotéticos.

http://www.youtube.com/watch?v=fNssyjM3_Y8

A prática

Devo confessar que antes de iniciar a atividade estava um pouco nervoso ante a perspectiva de encarar uma sala de aula do ensino médio, dessa vez no papel de professor. A edição do vídeo, a preparação da atividade e da sala de vídeo para receber a turma, tudo contribuia para manter uma clima de expectativa e excitação. Contudo, a prática surpreendeu-me, positivamente. No momento em que os alunos começaram a chegar, cumprimentando aquele "novo professor" senti que naturalmente me encaixava naquela posição, e uma sensação muito gratificante de pertencimento se estabeleceu. Apesar de ser um período muito pequeno de tempo para tratar de um assunto complexo como o preconceito e a exclusão social, e apesar de algumas vezes durante as falas me sentir um pouco "perdido", tentando mesclar os conceitos rigidamente acadêmicos, profundos e teóricos, como de capital social e relações de poder com exemplos cotidianos a fim de realmente possibilitar o entendimento.

A turma do 1° ano do ensino médio do período se mostrou bastante heterogênea quanto à idade e ambiente sócio-familiar, contudo as opiniões não divergiram em grande medida. O vídeo apresentado, trecho do curta "Vista minha pele" funcionou de maneira exemplar, gerando grande possibilidade de relativização de questões como preconceito, racismo, relações de poder e exclusão social, uma vez que demonstra que esses fatores estão necessariamente vinculados a questões sócio-históricas, bem como das relações desiguais de poder entre os membros de uma sociedade.

A identificação foi imediata com a idéia de que "papéis de negros e brancos estavam invertidos no filme", o que gerou uma explicação a respeito de capital social, exclusão social e violência simbólica. Além de ter sucitado grande interesse nos alunos, visto que compartilharam diversas experiências, seja de preconceito e racismo vivenciados por eles mesmos ou assuntos polêmicos, como as cotas sociais.

Analisando novamente a atividade proposta e revendo a maneira como foi aplicada, é possível observar alguns erros cometidos, principalmente na abordagem do tema, que com certeza servirão de aprendizado para experiências futuras. Por exemplo, a relação entre exclusão social e diferenciação social poderia ter sido melhor demarcada à luz da teoria sociológica, bem como exemplos de relações de poder e relativização das diferenças melhor elaborados.

A atividade proposta

Esta atividade visa criar no aluno uma visão ampliada dos diferentes aspectos que caracterizam a exclusão social. Para que este objetivo seja alcançado, tenho a intenção de me valer de uma aula expositiva, mas principalmente dialogada, permitindo a troca de informações, experiências, valores e idéias entre os alunos e também com o professor. Além disso, com o intuito de ilustrar a discussão e fomentar o questionamento, planejo a reprodução do curta-metragem “Vista minha pele”, que aborda principalmente a segregação racial e sua presença implícita em diversos setores da sociedade.

Para iniciar a atividade irei propor que a turma organize suas carteiras em forma de “U” e farei uma breve explanação acerca do tema (cerca de 5 minutos), em seguida convidarei a todos que escrevam em um papel brevemente o que entendem por exclusão, sendo que este papel deverá permanecer sem identificação. Para dar continuidade ao processo, será feita a reprodução do curta “Vista minha pele”. Esta obra cinematográfica gera inevitavelmente o questionamento, e fomenta uma visão mais crítica e profunda de fatores cotidianos presentes na vida de todos, como cultura midiática, diferenças na educação, na moradia e dentro disso tudo, formas implícitas de racismo. A partir daí, será feita breve explicação acerca de noções como “relações de poder”, “campos sociais” e “reprodução social” presentes na obra do sociólogo francês Pierre Bourdieu, o que dará a base teórica para a atividade. Por fim, as anotações feitas no começo da aula serão devolvidas aos alunos, de maneira que cada um receba de volta algo escrito por outro colega, e, através de incentivos do professor, possam debater acerca do que foi visto, escrito e principalmente das possíveis mudanças que a atividade possa ter gerado em suas concepções de mundo.

Esta atividade será considerada satisfatória se os alunos que a realizarem questionem minimamente a estrutura social em que todos estamos imersos, revisem suas próprias concepções de classe social, diferenças étnico-sociais, e relações de poder. Além, é claro, de que consigam apreender conceitos básicos da teoria de um dos pensadores mais importantes do século XX, Bourdieu.

sexta-feira, 29 de abril de 2011